Cartórios do estado Bahia(BA)
Pesquisar
Prezados alunos, a presente análise visa elucidar a natureza jurídica dos serviços extrajudiciais no estado da Bahia, à luz do artigo 236 da Constituição Federal. A discussão é de suma importância, considerando a crescente complexidade e relevância desses serviços na organização do Estado e na garantia de direitos fundamentais.
O artigo 236 da Constituição Federal, inserido no capítulo da Organização do Estado, estabelece que “Os serviços de registro público, conservados os seus caracteres essenciais, são gratuitos, salvo as taxas fixadas em lei”. Essa disposição, aparentemente simples, encerra uma série de implicações jurídicas que demandam uma análise aprofundada.
Inicialmente, é crucial compreender que os serviços extrajudiciais – notariais e registrais – não se inserem na esfera da atividade administrativa estatal típica. Embora exercidos por particulares mediante delegação do Poder Público, sua natureza jurídica não é a de meros concessionários de serviço público. A delegação, nesse contexto, ocorre por meio de concurso de provas e títulos, conferindo aos titulares uma estabilidade que se aproxima daquela dos servidores públicos, embora não sejam, formalmente, ocupantes de cargo público.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), consolidada a partir do julgamento do Recurso Extraordinário nº 590.829 (tema 932), firmou o entendimento de que a exploração dos serviços notariais e registrais possui natureza jurídica híbrida, combinando elementos de direito público e direito privado. Essa hibridez decorre da delegação estatal, que confere aos notários e registradores a prerrogativa de atuar em nome do Estado, garantindo a fé pública e a segurança jurídica, mas também lhes atribui a responsabilidade pela gestão e sustentabilidade econômica de seus próprios cartórios.
No estado da Bahia, a organização e o funcionamento dos serviços extrajudiciais são regulamentados pela legislação estadual vigente, que estabelece as normas relativas à delegação, à fiscalização, às taxas e aos deveres dos notários e registradores. É importante ressaltar que, embora o artigo 236 da Constituição Federal preveja a gratuidade dos serviços, essa gratuidade é mitigada pela possibilidade de fixação de taxas em lei. Essas taxas, contudo, devem ser razoáveis e proporcionais, destinadas a cobrir os custos operacionais dos cartórios e a garantir a sua sustentabilidade, sem configurar enriquecimento ilícito.
A fiscalização dos serviços extrajudiciais no estado da Bahia compete, primordialmente, à Corregedoria-Geral de Justiça, órgão do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA). A Corregedoria exerce um papel fundamental na garantia da legalidade, da eficiência e da qualidade dos serviços prestados, zelando pelo cumprimento das normas estabelecidas e pela proteção dos direitos dos cidadãos.
A questão da remuneração dos notários e registradores é outro ponto sensível. A legislação estadual estabelece uma tabela de emolumentos, que define os valores a serem cobrados pelos serviços prestados. Essa tabela é periodicamente revisada, com o objetivo de adequá-la à realidade econômica e garantir a viabilidade financeira dos cartórios. Contudo, a fixação dos emolumentos deve observar os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da moderação, evitando-se a cobrança excessiva que possa onerar indevidamente os cidadãos.
Em suma, a natureza jurídica dos serviços extrajudiciais no estado da Bahia, à luz do artigo 236 da Constituição Federal, é complexa e multifacetada. Trata-se de uma atividade que combina elementos de direito público e direito privado, exercida por particulares mediante delegação do Poder Público, com o objetivo de garantir a fé pública, a segurança jurídica e o acesso à justiça. A legislação estadual vigente, em conjunto com a jurisprudência do STF, define os contornos dessa atividade, estabelecendo os direitos e os deveres dos notários e registradores, bem como os mecanismos de fiscalização e controle.
A evolução do entendimento sobre a natureza jurídica desses serviços, especialmente após o julgamento do RE nº 590.829, demonstra a importância de uma análise constante e aprofundada, a fim de garantir a sua adequação aos princípios constitucionais e às demandas da sociedade.
> Artigos Relacionados
Ler MaisComo Emitir a 2@Via da Certidão de Testamento
Evite atrasos e problemas na emissão da 2ª via da Certidão de Testamento conhecendo os erros mais comuns e garantindo um processo rápido e e...
.png)
Como Emitir Certidão de Inteiro Teor da Matrícula do Imóvel
Descubra tudo sobre a Certidão de Inteiro Teor da Matrícula do Imóvel, sua importância, como solicitar, custos e como consultar online de fo...

Como Tirar a Certidão de Nascimento
A Certidão de Nascimento é o primeiro documento oficial de um cidadão, essencial para garantir direitos básicos.
.png)

